São Paulo, 24 de dezembro de 2004
Olívia,
Engraçado como nunca consegui te chamar de Olívia. Nem por escrito. Nem por pensamento. Até hoje, se penso em você, se vejo ou ouço algo que me lembra você, é sempre Livi. Será que posso continuar com essa mania para lhe escrever também? Espero que sim. Pois bem. Vou começar outra vez.
Livi,
Antes de ir embora eu lhe disse que a música havia parado de tocar. Sim, eu disse. Eu me lembro. Mas, sabe de uma coisa? Às vezes ela ainda ecoa em mim. Às vezes eu estou andando pela cidade, ou lendo livro dentro do quarto, ou até mesmo ouvindo uma música, e eu a ouço tocar. Baixinho. Devagar. Quase parando o tempo. E, Livi, naquele dia em que você me viu, na livraria, ela ecoou tão alto que eu não pude ouvir nem um dos outros sons ao meu redor. Foi quando eu lhe vi. Logo depois de passar do teu lado. Eu me virei, porque ouvi a música. E você já estava indo embora.
Eu também não entendo como nosso nó se desfez. Ele apenas se desfez. E então eu soube que era hora de partir. Não parti porque deixei de te amar ou por ter encontrado alguém que eu amei mais do que você. Não. Eu parti porque era hora de partir e só. Porque amar e ser amado de volta não significa "pra sempre" algum. Não é sinônimo de felicidade.
Falando assim até parece que eu não estava feliz com você, não é? Por favor, não me entenda mal. Só não é dessa forma que as coisas funcionam. Pelo menos em mim. Os 4 anos junto de você me fizeram ser quem eu sou hoje. E, de um ano pra cá, desde que te deixei, não me encontrei mais em corpo algum, em esquina alguma, em sorriso algum. Você ainda me tem em você, é só saber procurar, pra onde olhar.
Quando eu lhe entreguei aquela rosa, no nosso segundo encontro, e lhe prometi meu amor, eu falava sério. Eu falei pra vida toda. Porque desde o primeiro momento que estivemos juntos eu soube que você era a mulher da minha vida, que no meu universo você seria única. Mas, Livi, às vezes a gente se perde no meio do vai e vem do mundo, da vida. E a vida veio e foi de mim muitas vezes nos últimos meses em que eu ainda dividia a cama contigo. Ela simplesmente transitava dentro de mim, sem dó. E eu fui deixando a embarcação afundar. Só achei injusto permitir que a tua embarcação afundasse também.
Daniel.
Nenhum comentário:
Postar um comentário