segunda-feira, 17 de junho de 2013

#5




São Paulo, 20 de março de 2005



                                  Daniel,

   Hoje é domingo.
   A tua ausência dói.
   E dia desses eu também sonhei com você. Tu me dizia que sentia muito, mas que precisava ir. Tua voz doía em mim. E os teus olhos estavam marejados. Tu ficava repetindo a mesma coisa: "Livi, me desculpa, mas eu preciso ir. Livi, eu... eu preciso ir. Me desculpa." Então, de repente, você sumiu e eu pareci estar caindo; quando meu corpo bateu no chão, eu acordei.
   E acordei com teu gosto. Com o gosto do teu beijo de café. E o teu meio sorriso estava amarrado na minha cintura. Ele parecia estar me fazendo dançar, mas depois me dei conta de que era apenas a solidão gritando alto meu nome em meio ao dia cinza.
   Eu não vim dizer muito.
   Porque hoje a dor de não te ter amanheceu inflamada.
   E eu não consigo nem por os pés no chão.
   Eu não vim dizer muito.
   Eu vim só porque hoje é domingo.


                                                                                                      Olívia.