Ah, Daniel,
Como eu tentei me desviar do mundo, do teu curso; o quanto eu tentei matar o tempo, apagar as lembranças. Ah, Daniel!, tu me prendeu, me trancou em você, depois soltou a minha mão. Eu fiquei pra trás, eu vi o semblante do teu corpo sumir aos poucos, ao longe, cada vez mais longe.
E depois? E depois como eu tentei sorrir mesmo sem você. Mudei de endereço, telefone, pensei até em mudar de nome. Engraçado, não é? Engraçado mesmo foi dar de cara com você naquela livraria hoje, mais cedo, e notar que você ainda lê os mesmos livros, gosta das mesmas coisas e não deixou de lado aquela mania de bater de leve o dedo nas coisas enquanto anda.
E daí tu passou bem ao meu lado. Teu cheiro ainda é o mesmo também. Mas tu nem me percebeu, tu não me viu. Eu tratei de ir embora, de fugir.
Do lado de fora, ao pisar na calçada, observei os prédios, os carros, o som. Eu amo esse lugar. Foi o lugar em que eu te conheci. Mas nós não pertencemos mais aqui. Não de mãos dadas. Não como um casal. Não como nós. Eu odeio esse lugar. Foi o lugar em que eu te conheci; em que você sorriu pra mim ao dizer adeus (quem sorri ao dizer adeus, Daniel?), em que você fez as malas e bateu a porta, me deixando naquele apartamento, vazio da tua presença.
Daniel, até hoje não entendo como foi que o nosso nó se desfez, tu disse apenas que a música parou de tocar. Até hoje não entendo como me senti, como me sinto. Não sei mais se te amo ou não. Mas ter te encontrado me fez querer saber, mexeu comigo. Trouxe-me a ideia louca de te escrever. Espero só que o endereço que tu me deixou para enviar o resto de suas coisas ainda seja mesmo teu.
Olívia.
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