sábado, 7 de março de 2015

#8




São Paulo, 24 de novembro de 2005



           
           Livi,


   A embarcação segue. A vista é do horizonte que persigo e não alcanço. A paz se encontra onde existe história de domingo pra contar. Eu chego quase lá. Não sei dizer se nesses meses que se passaram sem te escrever (e eu sinto muito), cheguei tão perto ou ainda mais longe de alcançar. É sempre até o limite e depois desde o inicio. Minhas manhãs ainda perseguem o sol. E a saudade canta a casa, corre as cortinas. Eu te encontro num instante em algum canto e de repente você não está mais lá. É vai e vem. E daí eu obrigo a atenção a se atentar com algo mais real. Viro os olhos pr'outro lado e teus passos seguem a qualquer lugar que o você em mim esteja indo. E eu te deixo. E estico o tempo e me empenho em ignorar os sinais.
   A música toca. Me pego cantando e me corrijo. Mas não sai daqui. Não vai embora. E os dias seguem. E é sempre igual. Eu nunca me decido por nada quando o assunto é teu sorriso. Não me decido, mas ainda que não, quero consumir cada instante dele. Anseio vê-lo surgir, dar a volta ao mundo, teus olhos fecharem pra se esconder, e teu rosto retornar. Sereno. Como quem acabou de voltar de uma viagem à Lua. Como quem não queria voltar de lá. E queria me levar junto. Pra sempre.
  O horizonte, às vezes, parece tão tocável, Livi. E tão sereno. Sereno feito teu rosto depois do teu sorriso de volta ao mundo. O horizonte tem o som do teu riso. E o gosto da tua voz. Como se nada nunca tivesse quebrado. Como se nada nunca tivesse sido deixado pra trás.
  Livi, por onde é que andava a linha do horizonte quando eu decidi fechar a porta atrás de nós?


                                                            Daniel.

Nenhum comentário:

Postar um comentário