sexta-feira, 6 de setembro de 2013
#6
São Paulo, 04 de maio de 2005
Livi,
Eu sou fragmento de domingo. E a cada novo domingo, me fragmento mais, me despedaço mais. Acho que o nome disso é saudade, Livi.
Saudade, sabe?
Dessas que machuca o rosto da gente, racha o lábio e enfraquece o joelho.
Acho que é dessas saudades assim, do nosso amor.
Porque, nesses últimos meses, o meu corpo balança e voa contra a parede sempre que acordo e noto a ausência do teu corpo na cama que parece funda e infinita sem você.
A saudade corta.
A saudade é fragmento, Livi.
Fragmento do que nós fomos, do que nós não fomos, do que nós poderíamos ter sido e do que nós queríamos ter sido. (E o que era mesmo?)
E do fragmento resta quase nada.
Do fragmento resta só o domingo, Livi.
Eu não sei que dia da semana é hoje, mas desejo em silêncio que seja domingo.
Daniel.
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