quarta-feira, 15 de maio de 2013
#4
São Paulo, 3 de março de 2005
Livi,
Dia desses sonhei contigo. Sonhei que a gente casava. E, ah, Livi... Você tava tão bonita naquele vestido branco! Tão bonita!, que eu lembro de ver meus olhos marejados, quando você vinha caminhando em minha direção naquele tapete vermelho. Você disse sim, Livi. E eu lhe sorri um sorriso enorme. Você me retribuiu com um beijo. E eu calmamente repousei uma aliança dourada em teu dedo. Então eu acordei.
Os tempos por aqui tem sido mornos, a propósito. O Sol tem parecido pequeno, calmo. Invade a sala pela janela e dorme silencioso num pedaço do sofá e em grande parte do chão. Principalmente durante as manhãs. Eu sempre sento na cadeira com uma xícara de café e fico observando a luz invadir a sala e partir repetidas vezes, mas sem pressa. Coisas assim me fazem lembrar os nossos domingos.
Te lembra dos nossos domingos, Livi?
Era sempre aos domingos que nós íamos até aquela sorveteria de mãos dadas, bem de manhãzinha. Era sempre aos domingos que a gente passava a tarde toda no sofá assistindo qualquer coisa desinteressante na tevê, só para ter uma desculpa pra ficar junto. E era sempre aos domingos que eu lavava a louça pra você, só pra ver a graça do teu riso singelo por causa da minha forma desajeitada de fazer as coisas.
Era sempre aos domingos que nosso amor transbordava, pra segunda de manhã bocejar calminho, bonito, renovado.
Eu sinto falta dos nossos domingos, Livi; vezenquando sinto teu cheiro pela casa, na minha cama. Mesmo que teus pés jamais tenham tocado meu chão de hoje. É triste e quase sempre dói. Acho que a saudade em si, e principalmente em mim, no fim das contas, acaba por ter uma graça um tanto melancólica: a melhor parte da saudade é poder matá-la. Eu me conforto com esse pensamento; com o pensamento de que um dia vamos sair pra tomar um café ou ir até a tal sorveteria pra colocar a conversa em dia. Eu me conforto com o pensamento de que um dia vou lhe sorrir outra vez. E vou desenhar tua silhueta no meu abraço até depois de me despedir, até repousar a cabeça no travesseiro depois de chegar em casa, com a alma repleta da tua voz e o corpo com pedaços do teu cheiro.
Livi, aos poucos, devagarinho e ancorando em uns tantos portos por aí, minha embarcação tá voltando pra terra firme outra vez.
Daniel.
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